Conservação: Peixe-boi-marinho volta à categoria de risco máximo de extinção no Brasil

Atualização da lista nacional reconhece alta vulnerabilidade da espécie; em Sergipe, história de preservação do peixe-boi Astro é referência nacional

Redação Isto é Lagarto
3 Min Leitura
O peixe-boi Astro foi reintroduzido na natureza em 1998 e tornou-se um símbolo da conservação no estado. (Foto: Acervo / FMA)

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima oficializou a reinserção do peixe-boi-marinho na categoria Criticamente em Perigo, alertando o país para o altíssimo risco de extinção dessa espécie emblemática. A mudança, estabelecida por meio da Portaria número 1.704/2026, recoloca o dócil mamífero aquático no topo das prioridades de preservação da fauna brasileira. A atualização atende a reiterados apelos da comunidade científica e de pesquisadores especializados que comprovaram que a vulnerabilidade do animal nas águas do litoral nacional continuava extremamente grave, contrariando o rebaixamento de urgência que havia ocorrido em 2014.

Historicamente, o peixe-boi-marinho dominava uma vasta extensão da costa do país, desde a Região Norte até o Espírito Santo. No entanto, séculos de caça desenfreada e a destruição agressiva dos habitats marinhos dizimaram populações inteiras, fazendo com que a espécie desaparecesse completamente de vastos trechos litorâneos de estados como Bahia e Sergipe. Hoje, os levantamentos aéreos mais recentes indicam que existem pouco mais de mil indivíduos sobrevivendo na região Nordeste, lutando diariamente contra a degradação dos manguezais, a poluição e os acidentes com redes de pesca.

O Exemplo de Superação em Sergipe e a Atuação de Projetos

Diante de um panorama nacional tão adverso, o estado de Sergipe tornou-se um verdadeiro marco de resistência e esperança biológica. O principal símbolo dessa recuperação é o peixe-boi chamado Astro, que foi reintroduzido com sucesso em seu habitat natural no ano de 1998 e passou a viver livremente na costa que abrange o território sergipano e baiano. Esse feito histórico provou que é possível reverter o processo de desaparecimento quando há aplicação séria e contínua de conhecimento técnico para reinserir o mamífero em regiões onde ele já era considerado extinto pela literatura especializada.

A sobrevivência e o monitoramento desses animais no estado são frutos diretos de um trabalho incansável coordenado pela Fundação Mamíferos Aquáticos, que possui uma longa trajetória de dedicação à causa ambiental iniciada no final da década de oitenta. Com o apoio do Projeto Viva o Peixe-Boi-Marinho, que conta com o patrocínio fundamental do Programa Petrobras Socioambiental desde 2013, pesquisadores conseguem desenvolver pesquisas e ações contínuas de conscientização junto às comunidades de pescadores locais para evitar capturas acidentais e mortes provocadas por choques de embarcações motorizadas.

Com informações da Ascom/FMA

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