O Hospital Universitário de Lagarto (HUL/UFS), principal unidade de saúde da região Centro-Sul sergipana, passou por uma detalhada inspeção conjunta promovida pelo Ministério Público do Trabalho em Sergipe (MPT-SE) e pelo Ministério Público Federal (MPF). Realizada na última quarta-feira (17), a fiscalização teve como foco averiguar as condições reais de trabalho, o fluxo de atendimento e o dimensionamento das equipes médicas e de enfermagem.
Relatos de Sobrecarga, Escalas Defasadas e Dormitórios Danificados
A vistoria foi liderada pela vice-procuradora-chefa do MPT-SE, Clarisse Farias Malta, e pelo procurador da República Ígor Miranda, acompanhados por peritos, representantes do Hospital do Amor e dirigentes do Sindserh/SE (Sindicato dos Trabalhadores de Empresas Públicas de Serviços Hospitalares). Logo na chegada, a comissão recolheu diversos depoimentos de servidores relatando esgotamento físico e mental.
Entre as inconformidades observadas e relatadas pelas autoridades durante a inspeção técnica, destacam-se:
- Déficit de Pessoal: Falta crônica de profissionais em setores estratégicos da unidade de saúde.
- Saúde Mental: Alto índice de afastamentos médicos motivados por transtornos decorrentes da pressão diária e alta demanda.
- Problemas Estruturais: Presença de uma ala de isolamento improvisada para pacientes.
- Estrutura de Apoio: Irregularidades nos refeitórios e dormitórios destinados aos plantonistas, incluindo a presença de colchões rasgados.
O MPF lembrou que já havia emitido recomendações formacentes à HU Brasil (antiga Ebserh), que administra o HUL, exigindo a adequação das escalas médicas com controle biométrico e ampliação de leitos regulados.
“Chamou atenção a ausência de dados consolidados sobre adoecimento mental, especialmente com recorte por setor e categoria profissional, bem como a falta de elementos que permitam avaliar os impactos da atual organização do trabalho sobre a saúde dos trabalhadores”, pontuou a procuradora Clarisse Farias Malta.
Reunião com a Reitoria da UFS
Além do monitoramento in loco, as autoridades participaram de uma mesa de diálogo com o reitor da Universidade Federal de Sergipe (UFS), André Maurício Souza, e gestores do hospital. O Ministério Público cobrou a apresentação de planos técnicos voltados ao gerenciamento de riscos ocupacionais, alegando que o regime de “portas abertas” do HUL não justifica a ausência de controle sobre a saúde de seus colaboradores.
Posicionamento Oficial do HUL-UFS
Em nota oficial emitida logo após a conclusão da vistoria, a direção do Hospital Universitário de Lagarto confirmou o recebimento das equipes de fiscalização e o diálogo com a gestão para expor a realidade da média e alta complexidade na região.
A unidade hospitalar declarou que encara a fiscalização dos órgãos de controle de forma positiva para o aperfeiçoamento contínuo do Sistema Único de Saúde (SUS). A administração do HUL ressaltou que, assim que as recomendações e relatórios técnicos forem entregues formalmente, analisará cada apontamento para adotar as medidas cabíveis dentro de sua viabilidade operacional e orçamental.
*Com informações do MPT-SE e HUL-UFS

