Em negociação com os EUA, Brasil blinda o etanol e defende produtores do Nordeste

Ministério da Indústria reitera que mercado de biocombustíveis não será usado como moeda de troca para conter taxas americanas

Redação Isto é Lagarto
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Foto: Freepik

O governo brasileiro reforçou a blindagem ao setor sucroenergético nacional durante as reuniões de emergência que ocorrem em Washington, nos Estados Unidos. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou publicamente que o etanol brasileiro continuará fora da mesa de negociações e que o país não facilitará o ingresso do biocombustível norte-americano no mercado interno.

A decisão atende a um pleito histórico das entidades do agronegócio, principalmente da Região Nordeste, onde a produção de cana-de-açúcar e derivados desempenha um papel vital na geração de empregos e na movimentação da economia dos municípios do interior.

O ministro criticou setores que tentam empurrar o etanol para dentro do debate de tarifas. “O governo vem defendendo que o etanol não seja tratado nessa discussão. É uma pena que outras pessoas pensem diferente para que o etanol americano possa entrar no mercado brasileiro com facilidade. Nosso açúcar tem sobretaxa nos Estados Unidos de quase 100%. Não dá para dissociar as duas cadeias”, alertou Márcio Elias Rosa.

Apoio do Setor Agropecuário

O posicionamento firme adotado por Brasília recebeu respaldo imediato das principais lideranças do campo durante audiências públicas nos EUA. Representantes de peso da agroindústria apresentaram dados técnicos que justificam a postura brasileira:

  • União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica): Apontou que a queda na compra do etanol dos EUA não se deve a barreiras ideológicas, mas à eficiência do mercado interno;
  • União Nacional do Etanol de Milho (Unem): Mostrou que a forte expansão da produção nacional de etanol feito a partir do milho reduziu a dependência brasileira por importações;
  • Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA): Defendeu que os dois países, por serem os maiores produtores globais, deveriam focar em abrir mercados mundiais juntos, em vez de travarem disputas bilaterais.

Próximos Passos

A missão brasileira corre contra o tempo. O governo federal tenta fechar um acordo político com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, antes que a consulta pública americana termine e resulte na aplicação de novas taxas alfandegárias contra o aço, calçados e manufaturados brasileiros. O foco do Brasil será fechar acordos na área de segurança integrada e proteção de dados, mantendo a agricultura protegida.

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